
e-Readers impulsionam vendas de livros digitais
No final de 2010, pela primeira vez, a venda de livros digitais superou a de livros impressos na Amazon.com, maior livraria on line do mundo. Segundo a empresa, para cada 100 livros em papel, foram vendidos 143 livros em formato digital — um marco no mercado editorial, pelo que traz de simbólico, aumentando a discussão sobre o futuro do livro impresso.
O livro em papel vai morrer? A literatura vai passar pelo mesmo fenômeno observado na música, que experimentou a derrocada do CD e o boom do compartilhamento de arquivos MP3? Como fica a questão dos direitos autorais nesse novo cenário?São questões ainda difíceis de responder. O que parece irreversível é o crescimento do mercado de livros digitais, impulsionado por uma geração de novos leitores familiarizados com as plataformas tecnológicas, como o iPad, Apple. Em busca de praticidade e agilidade, cada vez mais pessoas, em vez de adquirirem uma publicação impressa, poderão optar pela leitura dos livros digitais, nos vários modelos de e-readers disponíveis no mercado.
Outro fator importante na mudança do comportamento do consumidor é o preço. Livros digitais são mais em conta porque não precisam de impressão e distribuição. Também não encalham e não precisam de recolhimento por parte das editoras.
Se essa tendência irá decretar o fim do livro, no modelo em que o conhecemos há séculos, ainda é cedo para dizer. Hoje, tanto o formato digital como o impresso vivem um bom momento. A venda de livros em papel cresceu 22% no último ano, de acordo com a Associação de Editoras Americanas.
No Brasil, já existem cerca de dois mil títulos digitais à venda nos sites de redes tradicionais de livrarias, como Cultura e Saraiva. Até sites especializados em publicações digitais, como o Gato Sabido, que também opera a loja de livros digitais do Submarino.
Apesar desse crescimento e das vantagens e facilidades para o leitor, o mercado de livros digitais, entretanto, vem gerando dor de cabeça para escritores e editores, por exigir uma nova ordem na questão dos direitos autorais. Como controlar, por exemplo, o compartilhamento e a pirataria, garantindo o pagamento pelo download da obra no território livre da internet é a principal questão, que ainda precisa de uma resposta.
Em um cenário semelhante, nos últimos anos, a música não conseguiu garantir os direitos autorais para artistas e gravadoras. Hoje, muitos artistas têm optado por disponibilizar gratuitamente seus CDs e músicas na internet, incentivando o compartilhamento como ferramenta de divulgação e priorizando os shows como principal fonte de lucro. Contudo, na literatura, esse modelo não teria como ser repetido, pois o autor não tem a possibilidade de gerar receitas com shows, por exemplo.
Um caminho alternativo para manter as receitas pode ser o estímulo à adaptação da obra para outros meios, como a TV, o teatro e o cinema. Alguns autores, inclusive, fazem o caminho inverso: escrevem para outros meios e, depois, adaptam para o livro impresso. Mesmo assim, esse mercado é muito restrito no Brasil.
Em meio a esse debate, vale refletir também sobre o papel que cabe ao Poder Público na proteção e disseminação de obras de importância para o País. É essencial assegurar que esse legado possa ser acessado pela população, em formato digital, independentemente dos interesses econômicos que norteiam o mercado editorial.
Fonte: http://revistaalgomais.com.br/blog/?p=629
Nenhum comentário:
Postar um comentário